A habilidade humana de complicar suas aflições e transforma-las em sofrimento e isolamento me faz absorta. Em vários momentos da minha própria vida pude testemunhar isso, dentro da minha bagunça.
Sabe aqueles momentos que se sentir mal por estar feliz parece plausível, quando na verdade tu simplesmente estás feliz?! São esses os momentos que deveriam bastar, mas teus instintos adolescentes calados pelo tempo que te envelhece e te transforma, nunca tomou isso de ti. Simplesmente deixou ai, adormecido em algum lugar ao alcance fácil das mãos e, sempre se faz necessário.
A sensação de estar a mercê da tolice não é perceptível a quem vive, apenas aos olhos de quem vê e, acaba por afastar os outros que quando se aproximam descomplicam tudo e fazem parecer fácil de resolver, mas aquela sombra do adolescente insatisfeito que persegue a todos não entende isso e então, simplesmente não aceita ninguém, só a tristeza forjada na necessidade de sentir algo.
Compreender esse estado, para mim, é fácil. Não que seja especial de minha parte faze-lo, mas meu fleumatismo me ajuda a ver as coisas de forma mais imparcial. Coloco-me sempre deitada no divã antes de estar atrás dele. Eu já usei e gostei de ser usada pelos meus exageros, principalmente na composição do meu “eu-lírico”. Tantas foram as vezes em que pensei ser culpa minha o martírio alheio, e tantas outras foram as que eu sofria tanto, que nem percebia que era sem razão.
Mas, é bem verdade que só sente de verdade quem exagera. Como no teatro quando na hora do ‘ser ou não ser’ o jovem ator dá passos largos com o olhar vidrado naquela falsa caveira, que parece responder as perguntas lhe feita, por que tu sentes a dor daquele ser onírico, inexistente. Imagine você, se não houvessem olhos vidrados e passos largos? Se nem ali estivesse aquela caveira?! Seria aquele jovem ator apenas um homem contido aos seus conflitos, sem de fato querer respostas para eles.
Sem sentir não se pode crê em nada. Afinal, é a pura convicção da existência que te guia a fé, não só religiosa, como ideológica e afins. Agora imagine o mundo sem revolucionários, sem um poder onipresente supremo, sem o big bang ou o jardim do Eden, sem gênios e loucos?! Parece existir para você?!
Não para mim.