Feeling blue!
Tive que repensar meus planos nos últimos meses. Decidi aceitar a opinião dos outros e tentar me entregar ao conformismo de um típico e pesaroso pensamento – “ao menos eu ouvi alguém”. Era um medo cortante que me impedia de lutar com todas as minhas armas pelo que eu queria e a grande possiblidade de falhar me paralisou.
No entanto, a decisão que tomei me aproximou um pouco do que eu realmente sou e me ofereceu grandes justificativas para os meus desejos esquisitos. Eu estava no meio de uma parte de mim que sabia mais do que nunca o que queria, mas agora não assustada, estava cansada demais para lutar. Fico entre fugir desse espaço tão meu e me deleitar com o que hoje é mais fácil. O estranho é que a muito tempo eu não me sentia tão sozinha quanto agora, exatamente quando parece que encontrei a mim mesma.
Um paradoxo maçante no universo feminino – e talvez humano. Não tenho medo de admitir minhas fraquezas, mas me deixar sucumbir a elas é no mínimo vergonhoso. Queria um abraço apertado, dedos entre os cabelos e um silêncio reconfortante para me ajudar a silenciar essa multidão que me envolve e não me acompanha. Sufoca-me. Quero dominar meu mundo com a minha voz risonha e, provar que sou hoje bem mais do que sempre fui.
Estou disposta a me deslocar desse espaço e fazer de minhas causas perdidas um novo horizonte. Pegar a estrada sem rumo e me deixar levar até o lugar onde eu vou querer ficar e ser alguém, esse alguém de que tanto me gabo ser: forte, decidida. Um alguém que parte de alguém, por alguém e para muita gente. E deixarei pelo caminho as migalhas do que foram as minhas batalhas perdidas, na tentativa de compor minha reviravolta.