Como já dizia Billie

Pegar leve ou se jogar inteiramente? Covardia ou loucura?! Ela não pensava nisso. Vivia de seus sonhos encantados e tão reais para ela quanto uma dor de dente. Não era um dia de cada vez, mas cada um como se fosse o último e assim era feliz. Eram risadas e brincadeiras por todos os lados e quando ela chegava, alguém sempre anunciava: “ E lá se vai a tristeza!”. Era como um sol que erradicava bons sentimentos, pensamentos e as melhores risadas( e, sim, me repito de propósito! )
Mas, um dia alguém olhou para ela enquanto sorria e jogava piadas ao vento e perguntou: – Toda essa felicidade é real?!
O sorriso se desfez e na mente dela se formaram as imagens que só na frente do espelho ela conseguia reconhecer. Eram tantas memórias ruins, tantas lágrimas e tanto medo, mas medo mesmo. Ela havia aprendido que ser bobo é sinônimo de ser feliz, e que ser bobo nem sempre é a pior forma de viver. Então, guardou as lágrimas e o medo dentro dela, em um lugar onde só ela acessava.
Ela tentou se justificar: – Meu sorriso é tão sincero quanto qualquer desejo seu, no entanto ele não significa que minha vida não tenha sido difícil, não seja difícil. Ele é a ajuda que eu ofereço aquelas pessoas que vivem um dia de cada vez sem perceber que nem sequer vivem, só lamentam a existência. Meus problemas é o que torna meu sorriso mais feliz, meus sonhos mais possíveis.
O que aquele estranho não sabia é que sozinha ela chorava e também lamentava. Viver tudo de uma vez não deixou que ela planejasse a vida e muito menos se realizado, era o escape de seu medo. Ela era a própria ambição, mas como todo ambicioso era apressada e logo, não realizada. Como diria Billy Joel: Pega leva, louca criança. Você é ambiciosa demais para uma jovem. Se de fato é tão esperta, por que ainda tem tanto medo?! Ela não conseguia responder a pergunta de Billie. E ficava ainda mais ansiosa, e na tentativa de uma auto-justificativa pensava na quantidade de coisas que queria fazer na vida e que precisava ter pressa se quisesse se realizar, são tão poucas as horas no dia.
E, mais uma vez o estranho aparece, não convencido das justificativas dadas e ainda mais intrigados. – Você está no caminho certo, mas, não se pode ser tudo que quer fora do tempo. Você está indo rápido demais. Está tão a frente de si mesma que esqueceu o que de fato precisa. E, mesmo que você saiba quando está mal, pode acabar sem reconhecer o que te faz bem. E, nem mesmo sua técnica tão precisa vai funcionar para te alargar um sorriso.
Paralisada com tudo o que ouvira do estranho, perdeu um ou dois dias de sua vida corrida. E, percebeu que os sonhos nem sempre vão se realizar e que nesse caso, algumas coisinhas podiam esperar, afinal, era preciso tirar o telefone do gancho por uns dias e se deixar sofrer por si mesma, perder alguns dias lamentando para não perder a pura alegria dos momentos felizes.